This video by Leticia Souza discusses the concept of "brain rot," which stems from excessive consumption of passive, low-gratification online content. Souza proposes auto-education as the solution, sharing her personal journey and practical strategies to combat mental atrophy and reclaim one's focus and well-being. The video contrasts "hedonic pleasure" (instant gratification) with "eudaimonic pleasure" (fulfillment through effort and growth), advocating for the latter through learning and personal development.
É sincero aqui comigo. Você passa horas na internet consumindo conteúdo e, no final, não se lembra de nada. A gente já sabe que isso tem até nome: Brain Rot. Mas existe uma saída para isso, e se chama autoeducação. E nesse vídeo eu vou te mostrar como a autoeducação transformou a minha vida de uma maneira radical.
Essa sou eu me preparando pra aula de Krav Magá. Essa é minha turma de Krav Magá. Essa sou eu lendo o meu livro. E essa sou eu correndo na rua. Em uma era tão conectada, a autoeducação é sua única arma contra esse apodrecimento da mente causado pelo consumo passivo de conteúdos de rápida gratificação, como os Reels. É uma sensação de atrofia mental, como se a sua cabeça fosse bombardeada de tanta distração que ela acaba enferrujando, apodrecendo, uma cabeça pesada, sabe?
E isso acontece quando você tá lá escrolando o feed eternamente, vendo vídeos muito rápidos, né, eh, engraçadinhos e tal. E nos próximos minutos, você nem se lembra de tudo isso. Mas em questão de meia hora ali, ou uma hora, você sente um peso gigantesco na mente. E eu sei que você que tá me vendo aqui agora, você também não se lembra desses vídeos que você vê, tá? A gente não lembra mesmo.
Há três anos eu invisto cada vez mais tempo me aperfeiçoando para evitar ser uma pessoa estúpida. E eu nem sempre fui assim, é claro. Eu sempre gostei de ler, isso é fato, né? Já comentei aqui com vocês no canal, mas eu não lia tantos livros quanto eu leio agora. E praticar esportes, por exemplo, só se tornou uma constante na minha vida nos últimos três anos para cá. E o interessante disso tudo é que eu sempre gostei de aprender. Eu gosto muito de aprender coisas novas e me dedicar e me abrir para o novo, né? E essa é a minha maior defesa em uma realidade que empurra a gente cada vez mais para prazeres rápidos e muito pobres, que rouba o nosso precioso tempo e deixa aquela sensação de ansiedade, de irritação e de você tá ficando até meio burro assim, coisas que você fazia automaticamente de uma maneira mais leve. E hoje em dia você tem mais dificuldade de fazer.
Ao longo desse vídeo, no entanto, eu quero te dar todas as ferramentas que eu utilizo para fugir disso, e você vai ver como autoeducação é de fato a sua única saída para sobreviver a um mundo tão conectado. Olá, meu nome é Letícia Souza, seja bem-vindo ao Projeto Lumines. Se inscreva nesse canal e deixa seu like nesse vídeo.
Em 2024, o dicionário Oxford colocou Brain Rot como termo do ano. No entanto, essa expressão, ela não é nada nova. O escritor americano Henry David Thoreau já utilizava ela em 1854 no seu livro Walden ou A Vida nos Bosques, esse aqui que eu já trouxe para vocês aqui no canal. E ele escreveu assim no livro: "Enquanto a Inglaterra se esforça para curar a praga da batata, não haverá nenhum esforço para curar a podridão do cérebro, que prevalece muito mais amplamente e fatalmente." No contexto dele, era uma crítica à superficialidade da sociedade. No nosso, continua sendo um alerta, só que agora com o agravante do consumo infinito de conteúdo digital vazio.
Buscamos prazeres instantâneos por diversos motivos, no entanto, né? Chegamos em casa cansados depois de um longo dia de trabalho, de deslocamento no transporte público para fugir das responsabilidades, para ter um divertimento barato, já que o lazer hoje em dia também tá caro. Mas dessa maneira, a gente deixa de usar o nosso cérebro, que é uma máquina super poderosa para absorção de novas informações, né? Até pouco tempo atrás, eh, vocês provavelmente devem ter isso como memória fresca na cabeça de vocês, né? Era comum a gente chegar em casa e sentar para assistir o Jornal Nacional, se informar das notícias e depois assistir ali a novela, né? Era um equilíbrio, no entanto, entre a educação e informação.
Mas hoje, como tá tudo na palma da nossa mão, a gente fica cada vez mais longe de uma informação de fato, de qualidade. E o mais curioso disso tudo é que essa mudança, ela não é nova e já acontece há milhares de de anos na nossa sociedade, né? Não milhares, mas há bastante tempo. E antes de entrar realmente em como você pode se autoeducar, a gente tem que voltar na história e buscar referências sobre o que é de fato prazer.
O prazer instantâneo, ele pode ser chamado também de prazer edônico, que em grego significa "hedoné". E é um prazer imediato, né, ligado à sensação e gratificação de curto prazo, como comer um doce, ver um vídeo engraçado, rolar o feed, comprar algo por impulso. E é claro que isso passa muito rapidamente, deixa um vazio dentro de nós e não constrói uma sensação de bem-estar prolongado, bem-estar duradouro. No contexto das redes sociais, é aquele pico de dopamina quando a gente vê um vídeo divertido ou recebe uma notificação, só que ele não se acumula em nada maior, não vira mais nada além disso. E logo precisa repetir, ser repetido milhares de vezes.
Então, assim, quantos Reels você vê num dia só? Eu espero que não sejam muitos, tá? Você que me assiste aqui, eu espero que não sejam muitos. E meu, no entanto, você não vai lembrar de nenhum se você vê. E existe também um outro tipo de prazer, que é aquele que você deve se apegar e buscar e ter como referência, que é o prazer eudaimônico. Esse termo também vem do grego e foi muito utilizado pelo filósofo Aristóteles e que significa viver de acordo com seu propósito, virtude e realização.
Esse tipo de prazer, no entanto, ele é o mais profundo e vem de sensações de significado, de crescimento, de contribuição para uma causa maior. O prazer eudaimônico exige um esforço e uma dedicação que nem sempre será gostoso. Por exemplo, ir na academia e levantar peso é muito difícil, né? A gente sabe que é difícil, mas você sabe que é necessário pra sua vida por diversas razões, pra sua saúde mental, pro seu físico, para você ter um corpo mais bonito, porque você tá buscando o teu shape.
Sentar para ler e estudar. Tem dia que vai ser muito difícil, tá? Mas você sabe que você precisa se aperfeiçoar de repente para mudar de carreira, para ter um emprego melhor ou passar num concurso, numa prova que você tava desejando passar. Trazendo agora para autoeducação, ler, estudar, aprender uma nova língua, se aperfeiçoar, se dedicar a um esporte novo, um projeto diferente, coisas que não dão dopamina instantânea, acumulam no longo prazo um senso de orgulho e de realização.
Enquanto o prazer hedônico das redes sociais desaparece em segundos, o prazer eudaimônico do aprendizado se acumula e molda quem você é. Para vocês terem um exemplo concreto disso que eu tô falando aqui agora, em 2020, eu decidi fazer uma transição de carreira e eu trabalhava num restaurante nessa época, né? E não queria mais essa vida para mim porque era uma escala 6x1. Eu tinha um cargo de liderança, eu passava muito tempo dentro do trabalho e as coisas da minha vida pessoal ficavam completamente de lado. E tudo bem eu tomar essa decisão, né?
Então, eu fiz uma pós-graduação em história e cultura da alimentação e depois eu fiz duas especializações, uma como copywriter e depois outra como social media. Foram dois anos estudando todo santo dia, dois anos de abdicar descanso e das telas para focar em mim mesma e no meu futuro. A pós-graduação era de noite, então eu sentava, né, todo final de dia ali para fazer as aulas e tal. Já nos cursos de copyright e social media, eu assistia pela manhã antes de ir pro trabalho, porque eram aulas gravadas.
Há dias que eu não tava nem um pouco afim de sentar minha bunda na cadeira para estudar, nem um pouco, nem um pouco afim. Eu queria dormir mais, eu queria assistir série, eu queria fazer outras coisas, mas eu sabia que naquele momento era o que poderia me proporcionar uma mudança significativa na minha vida. E exige muita motivação, uma motivação astronômica você não desistir de um sonho. E olha que eu sempre fui, eh, vocês sabem que eu sempre fui uma pessoa que gosta de estudar, né? Já comentei isso diversas vezes e isso reflete muito na pessoa que eu sou, uma pessoa autodidata, curiosa, que tá sempre buscando coisas novas. Eu prefiro passar meu tempo lendo ou aprendendo algo novo do que ficar com a cara grudada em uma tela.
Mas com frequência, eu recebo comentários de outras pessoas me perguntando como elas poderiam ser um pouco mais como eu, né? Não, não quero me gabar, mas um pouco mais assim, inclinadas ao estudo. Bom, quando a gente tá falando de aprender um assunto novo, o que a gente tem que fazer primeiramente é sentar a bunda na cadeira e estudar. Parece simples, né? Parece muito simples teoricamente falando, é só sentar e estudar mesmo. Mas a gente sabe que acontece um bilhão de coisas entre sentar e realmente estudar.
Eh, na o que eu faço na minha rotina é me sentar e começar a estudar por 50 minutos e depois eu faço um intervalo ali de 5 a 10 minutos. E isso é o que eu chamo de pomodoro estendida. Eh, eu faço pausas para fazer outras coisas em casa que não exijam nenhuma dedicação mental, nenhuma demanda mental. Então, eu me sento, estudo por 50 minutos, faço pausas de 5 a 10 e nessas pausas eu procuro fazer um café, colocar roupa para lavar, dar comida pros meus gatos, ir ao banheiro, tomar uma água, coisas que não demandam muito, tá? Não precisa, não pode demandar muito.
Mas se eu tô estudando alguma coisa muito mais técnica, né, aí eu também busco fazer anotações. Eu vou anotando tudo que eu acho importante desses temas, né, e deixo de lado. Com o passar dos dias, eu volto naquele conteúdo e faço um active recall, ou seja, eu me esforço para fazer perguntas sobre ele. Eu mesma me faço essas perguntas e eu respondo essas perguntas sem olhar nas anotações. E algo que funciona para mim, que também pode funcionar para você, é você pedir pr alguém conferir as respostas ou te fazer perguntas.
Tem outra coisa que eu gosto de fazer também, que é contar para uma pessoa o que eu tô aprendendo. Isso se chama Feynman technique. Conte para um amigo aquilo, aquele assunto novo que você tá aprendendo. Tenta colocar uma riqueza de detalhes sobre aquela situação e peça para o seu amigo fazer perguntas e identificar pontos de atenção, eh, lacunas ali na história que você tá contando. Isso vai fazer você forçar sua mente a ir atrás de tudo que você estudou.
Agora, se eu tô aprendendo um esporte novo, eu tento ser paciente comigo mesma e entender alguns aspectos desse esporte. Então, me faço as seguintes perguntas: Eu tenho o que preciso para desenvolver nesse esporte? Quanto tempo em média se desenvolve nessa atividade? Eu tô aprendendo com as referências certas? Eu estou com os melhores profissionais? A minha saúde dá conta disso? Eu tenho condição financeira de bancar esse esporte? A partir dessas respostas, eu vou nivelar o quanto eu posso investir mentalmente, fisicamente e financeiramente nessas atividades.
Então, vocês percebem aqui que eu não tô eh inventando nada, né? Eu tô lidando apenas com a realidade aqui com vocês. A partir disso que eu tô falando, eu vou esquematizar a minha rotina para que esses estudos todos aconteçam. Tem semanas que uma coisa vai ser mais presente na minha vida do que outra, por conta de interferências da vida e tem semanas que tudo vai fluir bem. Normalmente eu dedico uma hora para leitura e uma hora para escrita na minha rotina todos os dias e uma hora para esporte cinco vezes na semana.
Eu não sei como é que é a sua rotina aí do outro lado, mas se a autoeducação for importante para você, você vai encontrar um tempo na sua rotina para se dedicar a ela. Sem desculpa, sem enrolação, sem justificativas. Você vai arranjar um tempo. Se for importante para você, você vai arranjar um tempo. E não precisa ser uma hora, tá? Pelo amor de Deus. Pode ser 30 minutos, 20 minutos, 15 minutos. É o tempo que você tem do jeito que dá.
A autoeducação é um processo contínuo de uma vida inteira. Você não nasceu sabendo tudo e dominando todos os assuntos e provavelmente vai morrer tentando aprender tudo. Mas se aperfeiçoar, aprender coisas novas é um caminho libertador em uma realidade modernizada que te entrega prazeres instantâneos e vazios a cada momento. Aprender é se libertar de um sistema que foi desenvolvido especialmente para te manter preso durante horas bem distante de uma vida plena, calma e organizada. O prazer hedônico passa em segundos, mas o prazer eudaimônico do aprendizado constrói quem você é.
Bom, chegamos ao final do vídeo aqui. Eu gostaria muito de saber o que que você acha desse assunto. Você já tá se educando para fugir das telas, para passar mais tempo longe das telas, seja com livros ou praticando esportes? Vamos conversar aqui nos comentários. Até o próximo vídeo.