This video features José Mário Branco reciting a text titled "FMI" (International Monetary Fund). The piece is a critical and satirical commentary on economic policies, political systems, and societal apathy. Branco delivers the text with a passionate and often confrontational tone, interspersed with musical interludes.
Here is the full speech transcript:
ah vou vou-vos mostrar mais um pedaço da minha vida um pedaço um pouco especial trata-se de um texto que foi escrito assim de um só Jorro numa noite de fevereiro de 79 e que talvez tenha um ou outro pormenor que já não seja muito atual Eu vos dar o texto tal igual como eu escrevi Nessa altura sem ter modificado nada por ISO vos peço que não se deixem distrair por esses pormenores que possam já não ser m e que não que isso não contribua para desviar a vossa atenção do que me parece ser o essencial neste texto chama-se FMI quer dizer fundo monetário internacional não sei porque é que se R uma organização democrática dos países todos que se reúnem como as pessoas em torno de uma mesa para discutir os seus assuntos E no fim tomar as decisões que interessam a todos todos eles é o internacionalismo [Música] monetário cachucho não é coisa que me traga a mim mais novidade do que Agostinho nariz que reconhece o cheiro do distingue bem morte mor do meirim a produtividade orora aí está quer dizer há tanto nesta terra que ainda está por fazer entrar por aí dentro analisar e então do meu ataque sai a solução FMI não há graça que não faça o FMI FM o bombástico de plástico para si FM não há força que retor o FM discreto e ordenado mas nem por isso fraco é imagem on the Rocks do canc do tabaco enfio uma gravata em cada Fate macaco e meto o pessoal todo no mesmo saco a produtividade orí está quer dizer não há daqui a brincar não há tempo a perder batendo o pé na casa espanador na mão é só desinfetar em super produção FMI não há truque que não lucra o FMI FMI o heroico paranoic Ariri f panegírico PR lírico daqui palavras palavras palavras e não só palavras para si palavras para dó contas com o nada que singar o sol e dó depois a criadagem lá pé e lim pó a produtividade Ora nem mais culinas cinzentas sempre atentas e levas pela tromba senão depois a pau um encontrão Imediato do terceiro grau fam não há lenha que detenha o f não ar ronha quem vergonha o FM FM entretem filho entretente não desfolhas em vão este mal me quer que Bem te quer mal te quer bem te quer Ó vó mal te quer messe gigantesca vem-te Bem vem-te vim vim na cozinha vim na casa de banho vim no Politeama vim no ui Douro vim em toda a parte vem-te filho vem-te comer ao olho vem-te comer à mão olha os pombinhos pneumáticos como te arrulhou por esses cartazes fora olha a música no coração da indir gandy olha Mache daan que te traz debaixo do olho o respei tenho é muito lindo e nós somos um povo de respeito né filho nós somos um povo de respei Dinho muito lindo saímos à Rua de cravo na mão sem dar conta de que saímos à Rua de cravo na mão a horas certas né filho consolida filho consolida en fia-te a horas certas no Casarão da Gabriela que o malm quer vai tratando do serviço Nacional de saúde consolida filho consolida que o trabalhinho é muito lindo o teu trabalhinho é muito lindo é o mais lindo de todos como o astro não é filho o cabrão do Astro entra pela porta das traseiras tu tens um gozo do carazas vais dormir entretido não é pois Claro ganhar forças ganhar forças para consolidar para ver se a gente consegue num grande esforço Nacional estabilizar esta desestabilização filha da não é filho Pois Claro estás aí a olhar para mim estás aí a ver-me dar 33 voltinhas por um minuto pagaste o teu bilhete pagaste o teu imposto de transação e estás a pensar lá com os teus Dios este tipo está-me a gozar este gajo quer é que jula que é né filho Pois não é verdade que tu és um herói deste que nasceste a ti não é qualquer TT bola que ti Fi ao barrete meu grande safad hã meu Fernão Mendes Pinto de merda né filho Onde está o teu extremo oriente filho an aqui bebé an aqui Bobó tu és Seul Tu És A damastor pois Claro tu sozinho Consegues a rabar as nações unidas com passaporte de coelho né filho mal eles sabem Pois é tu sabes o que é gozar a vida entretanto filho entret deixa políticas que a tua política é o trabalho trabalhinho por reinho da Silva e salve-se quem puder que a vida é curta e os santos não ajudam que anda para aqui a ch pneus com este paleio do szal em ritmo de popula não é [Música] filho a ver se me comes Lu já saber o que é meterem com uma nação de poetas e sa enfio o Manuel Alegre no Mário Soares Saas enfio o ar dos Santos no cunhal zas enfi a Natália Correia no s carneiro zas enfio o Zé fanha no Acácio Barreiros zas enfio o Pedro Homem de Melo no parque mher e acabamos todos numa sardinhada a integralismo lusitano a estender o braço meio rolão Preto meio Steve McQueen Ok Boss tudo ok Estamos numa porreira meu um tripo fenomenal proibido de voltar atrás Liberdade né filho Pois Irreversível pois Claro Irreversível Zinho pluralismo a dar com pau Nada será como antes agora todos se chateiam de outra maneira né filho Ora que deixa lá correr um fila homem andas de alta pá é assim mesmo cada um a Corti a sua podia ser tamp porreiro não é preocupações crises políticas pá a culpa é dos partidos pá esta merda dos partidos é que divid Malta pá pois pá é só paleio pá o pessoal não quer trabalhar pá razão ten já Neves pá Olha deixaste cair as chaves do carro pois pá que é essa orelha de preto que teens o porta-chaves e pá deixa-te disso não te Se estabiliz pá é faz favor mais uma B aqui o pastel nata uma pá um autêntico desastre ao 25 de Abril esta confusão pá a Malta estava sossegadinha a bicar aqui ões a gasos a CTI corroa tá bem essa merda da pid pá ter rafis e o carago mas no fim de contas quem é que não colaborava hã Quantos bufos é que não havia nesta merda deste país hã quem é que não se calava quem é que arriscava coir e cabelo assim mesmo que se chama arriscar hã meia d de líricos pá meia d de líricos que acabavam Toto a fugir para o estrangeiro pá Isto é tudo a mesma carneirada ó sarda venha cá ah venha ver o que isto é o barulho que vai aqui e on é tá bater na avó ó dhe P também no clu né filho tu vais conversando conversando que ao menos agora pode-se falar ou já não se pode ou já começaste a fazer a tua revisão Zinha constitucional tamanho familiar hã estás desiludido com as promessas de Abril né as conquistas de Abril eram só paleio a partir do momento em que teas começaram a tirar E tu ficaste quietinho né filho e Tu fizeste como ovest truz enviaste a cabeça na areia não é nada comigo não é nada comigo nãoé e os da frente que se lixem e é por isso que a tua solução é não ver é não ouvir é não querer ver é não querer entender nada precisas de Paz de Consciência não andas aqui a brincar né filho precisas de ter razão precisas de atirar as culpas para cima de alguém e a teras as culpas para os da frente PR os do 25 de Abril PR os do 28 de Setembro pros do 11 de Março para 25 de Novembro Que dia é hoje h [Música] f f não há português nenhum que não se sinta culpado de qualquer coisa não é filho todos temos culpas no cartório foi isso que te ensinaram não é verdade esta merda não anda porque a Malta pá a Malta não quer que esta merda ande Tenho dito a culpa é de todos A culpa não é de ninguém não isto verdade quer dizer a culpa de todos em e não há culpa de ninguém em particular hã somos todos muito bons no fundo né somos todos uma nação de pecadores e de vendidos né somos todos ou anticomunistas ou antifascistas estas coisas até já nem querem dizer nada ismos para aqui ismos para acá as palavras é só bolinhas de sabão parole parole parolle e osé que se lixa c o pintas é sempre mexilhão eu quer saber desse para vouer ao futebol pronto viva ao Porto viva ao Benfica lourosa lourosa mar razas mais razas for tud com razão tinhao Bastos para se entreter né filho entretanto filho com as tu tuas viúvas e as tuas Orfã que tudo obgado sindical Vai tratando da saúde aos administradores entretanto que o ministro do trabalho trata da saúde aos Delegados sindicais entretanto filho que a oposição parlamentar trata da Saúde ao Ministro do trabalho entretanto que o Ianes trata da Saúde à oposição parlamentar entretanto que o FMI trata da Saúde ao Ianes entretanto filho e vai para a cama descansado que há milhares de gajos inteligentes a pensar em tudo neste mesmo instante enquanto tu adormece a não pensar em nada milhares e milhares de tipos inteligentes e Poderosos com computadores redes de polícia direta telefones carros de assalto exércitos inteiros congressos universitários eu sei lá podes estar descansado que eu tenho que deix ao ping que está a tratar da tua vida com o Jimmy Carter o brej Neves está a tratar de ti com o João Paulo I tudo corre bem a ver quem se vai habituar com os 25 tões de riqueza que tu vais produzir amanhã nas tuas 8 horas a ver quem vai ser capaz de te convencer de que a culpa é tua e só tua se o teu salário perde valor todos os dias vão te convencer de que a culpa é só tua se o teu poder te compre com morri de São Pedro de moel que se som nas areias em plena praia ali a 10 m do ar em mar é cheia e nunca consegue desaguar de maneira que se possa dizer finalmente o rio desaguou vão te convencer de que a culpa é tua e tu sem culpa nenhuma estás tu a ver tens Tu a ver com isso não é filho cada um que se faça fando como puder é mesmo assim não é tu fazes como aos outros Fazes o que tens a fazer votas à esquerda moderada nas sindicais votas no centro moderado nas depais e votas na direita moderada nas presidenciais que mais querem eles que o ofereças a Europa no Natal era o que falava é assim mesmo julga que tram de Mercedes toma para safado safado e meio não é filho nem para a frente nem para trás eles que tratem do resto dos gatunos que são pagos para isso não é claro que só lixem as alternativas para trabalho já me chega entretanto meu anjinho entretanto que eles são inteligentes eles ajudam eles emprestam eles decidem por ti decidem tudo por ti se HS de construir barcos para a Polónia ou cabeças de alfinete para a Suécia se hás de plantar tomate para o Canadá ou Eucaliptos para o Japão descansa que eles tratam disso se hás de comer bacalhau só nos anos bicestos ou se HS de beber vinho sintético Dog eá de baixo descansa não Pens em mais nada que até Neste País de pintas se acha normal haver mãos desempregadas e se acha inevitável haver terras por cultivar descontrai baby come on descontrai AF fim fhe o bru Lee afim fhe a macrobiótica o biorritmo o oscópio dois ou três ofne olist um gigante da Ilha de Páscoa e uma gress de món de vez em quando para dar as boas festas às criancinhas piramis filho piramis antes que os chatos fujam todos para o Egito que assim é que tu te faça um homenzinho e até já pagas multa se não fores ao recenseamento pois pá isto é um país de analfabetos pá dá-lhe no TR volta dá-lhe no disco sound dá-lhe no pop chula pop chula pop chula yeah yeah J Pimenta forever quanto menos souberes a quantas andas melhor para ti não te chega para o bif antes no talho do que na farmácia não te chega para a farmácia antes na farmácia do que no tribunal não te chega para o tribunal antes a multa do que a morte não te chega para o cangalheiro antes para a cova do que para não sei quem que há de vir ões Dev vind dores hã sempre a merda do futuro e eu como quil pois pá sempre a merda do Futuro a merda do futuro e eu hã que é que eu Anda aqui a fazer digam lá e eu José Mário Branco 37 anos isto aqui é uma Anda aqui um gajo cheio de boas intenções a pregar aos Peixinhos a arriscar o pelo e depois é só porrada em al viver é o menino é mal criado o menino é pequeno al burguês o menino pertence a uma classe sem futuro histórico eu sou parv ou quê quero ser feliz quero ser feliz agora que se ao futuro que se ao Progresso mas vale só do que mal acompanhado vá mandem lavar as mãos antes de ir para a mesa filhos da de progressistas do da revolução que vos a todos deixem-me em paz deixa-me em paz e sossego não me empren mais pelos ouvidos não há paciência não há paciência deixa-me em paz Saiam daqui deixem-me sozinho só um minuto vão vender jornais e governos e greves e sindicatos e polícias e Generais para o Rai que V Esparta deixem-me sozinho filhos da deixem-me só um bocadinho deixem-me só para sempre tratem da vossa vida que eu trato da minha pronto já chega sossego silêncio deixem-me só deixem-me só deixem-me só deixem-me morrer descansado eu quero lá saber do Artur gustinho e do hum Berto Delgado eu quero lá saber do Benfica e do bispo do porto eu quero que s lix o 13 de Maio o 5 de outubro e o melan turos e a rainha da Inglaterra e o Santiago Carrilho e ver Lagoa deixem-me só Rua larguem-me só pila fígado terne Satanás filhos da quero morr sozinho ouviram eu quero morrer eu quero que eu se o FMI eu quero lá saber do FMI eu quero que o FMI se eu quero lá saber que o FMI me a mim eu vou fazer votar no Pinheiro da cves se ele tornar ir para o Hospital Pronto berda merda o FMI o FMI é só pretexto Voss es cabrões o FMI não existe o FMI Nunca atron na porela coisa nenhuma o FM é uma finta vossa para virem para aqui com esse paleio rua sandem daqui para fora a culpa é vossa a culpa é vossa culpa é vossa culpa é vossa a culpa é vossa Ó mãe amó mãe am mãe om om om Mãe eu quero ficar sozinho mãe não quero pensar mais Mãe eu quero morrer mãe eu quero desas ir-me embora sem sequer ter que me ir embora mãe por favor tudo menos a casa em vez de mim útero maldito que não sou senão este tempo que decorre entre fugir de me encontrar e me encontrar fugindo de quê mãe diz são coisas que se me perguntem não pode haver razão para tanto sofrimento e se inventemos o mar de volta e se inventemos partir para regressar partir E aí nessa viagem ressuscitar da Morte às aruas que me deste partida para ganhar partida de acordar abrir os olhos numa ânsia coletiva de tudo fecundar Terra mar mãe lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto lembrar nota a nota o canto das cereias lembrar o depois do Adeus e o frágil e ingénuo cravo da rua do Arsenal lembrar Cada lágrima cada abraço cada morte cada traição partir aqui com a ciência toda do passado partir aqui para ficar assim mesmo como entrevi um dia a chorar de alegria de esperança precoce e intranquila o azul dos Operários da lisnave a desfilar gritando ódio apenas ao V Exército de amor e capacetes assim mesmo na praça de Londres o soldado lhes falou Olá camaradas somos trabalhadores eles não conseguiram fazos esquecer Aqui está a minha arma para vos servir assim mesmo por trás das Colinas onde o verde está à espera se levantam antiquíssimos rumores as festas e osores os bombos de lavacolhos assim mesmo senti um dia a chorar de alegria de esperança precoce e intranquila o bater inexorável dos corações produtores os tambores de quem é o Carvalhal é nosso assim te quero cantar mar antigoa que regresso neste cai está arrimado o barco sonho em que voltei neste cai eu encontrei a margem do outro lado grândola Vila Morena diz lá valeu a pena a travessia Valeu pois pela vaga de fundo se assumiu o futuro histórico da minha classe no fundo deste mar encontrareis tesouros recuperados de mim que estou a chegar do lado de lá para ir convosco tesouros infindáveis que vos trago de longe que são vossos o meu canto e a palavra o meu sonho é a luz que vem do fim do mundo dos vossos antepassados que ainda não nasceram a minha arte é estar aqui convosco e ser vos alimento e Companhia na viagem para estar aqui de vez sou português Pequeno Burguês de origem filho de professores primários artista de variedades compositor Popular Aprendiz de Feiticeiro faltam-me dentes sou o Zé Mário Branco 37 anos do Porto muito mais vivo que morto contai com isto de mim para cantar e para o resto [Aplausos] [Música] C [Música] ser solidário assim para além da vida por dentro da [Música] percorrida fazer de cada perda uma raiz e improvavelmente ser [Música] feliz de como aqui chegar Não é mé contar o que já sabe quem souber o estrume em que germina a ilusão [Música] fecundará por certo esta [Música] canção ser solidário sim por sobre a morte que depois dela só o tempo é forte e a morte nunca o tempo a redim mas sim o amor dos homens que se ex de como aqui chegar não vale a pena já que a moral da história é tão pequena que nunca por vingança Eu vos daria no ventre das canções sabedoria [Música] i l