This video explores the reasons behind Tocantins's rapid economic growth, transforming it into one of the most dynamic economies in the Northern region of Brazil. Despite its historically isolated location, the state has achieved significant economic progress, surpassing national averages in key indicators.
Apesar de estar situado em uma das regiões historicamente mais isoladas do Brasil, o Tocantins vem surpreendendo o país ao emergir como uma das economias mais dinâmicas da região Norte. Com pouco mais de 1.500.000 habitantes e detendo a quarta maior economia da região, o estado tem trilhado, ao longo de seus 36 anos de existência, uma trajetória notável de crescimento e transformação. Desde sua criação, o Tocantins tem apostado em um modelo de desenvolvimento que combina a modernização do agronegócio com a atração de indústrias e empresas de outras regiões do país, aproveitando sua localização estratégica, que é um ponto de conexão natural entre as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Como resultado, em 2024, o estado registrou um crescimento de 4% no PIB, e a projeção para 2025 é ainda mais promissora, com expectativa de avanço de 3,8%, superando com folga a média nacional de 2,2%. Esse avanço também reflete políticas públicas voltadas à inovação, à melhoria do ambiente de negócios e ao fortalecimento do empreendedorismo, que têm sido fundamentais para atrair capital externo e impulsionar a geração de riqueza local. Não à toa, o Tocantins já ostenta o segundo maior PIB per capita do Norte, ficando atrás apenas de Rondônia, com mais de R$ 38.000 por habitante. E nesse vídeo, vamos entender como o Tocantins está se tornando o estado mais rico do Norte, mesmo sendo o estado mais jovem do Brasil. Em primeiro lugar, é importante citar que, apesar do boom econômico recente do Tocantins, historicamente o estado se manteve isolado e distante do restante da nação. Posto que, antes mesmo de se tornar um membro da federação em 1988, o Tocantins era um território inóspito pertencente ao estado de Goiás e que detinha poucas características de desenvolvimento, sendo a distância do núcleo administrativo goiano o principal fator responsável por essa situação. Para ilustrar, até meados do século XX, a região era amplamente rural, com economia baseada em atividades agropecuárias de subsistência, extrativismo e mineração. Enquanto do outro lado, o sul goiano se modernizava com o avanço do agronegócio e de indústrias locais bem localizadas no eixo econômico do Sudeste, onde a indústria avançava e a economia diversificava-se para uma série de setores. Tanto que cidades como Anápolis e Rio Verde ficaram notórias por sua característica industrial. Além disso, as políticas públicas nessa região eram mais eficazes, o padrão de vida mais elevado e o acesso a financiamentos e incentivos do governo eram, consequentemente, maiores em relação ao Norte, que naquele momento lidava com altos índices de analfabetismo, poucas escolas e a ineficiência do Estado em áreas essenciais como saúde e segurança, levando a maioria da população a viver em áreas rurais ou pequenas cidades com baixos níveis de renda. Nesse contexto, o fato das prioridades da região sul de Goiás serem colocadas em primeiro plano em relação às do Norte acabou sendo algo determinante por intensificar os movimentos separatistas, forçando o discurso de independência e autonomia das elites locais e entidades políticas, uma vez que a transformação da região em um estado seria a única alternativa viável para a captação de recursos federais e o direcionamento e aplicação de políticas públicas. Com isso, em 1988, o Tocantins é oficializado como novo membro da Federação Brasileira, em paralelo com a redemocratização e a criação de uma nova constituição que buscava maior representatividade para as regiões historicamente negligenciadas. Assim, com a elevação do território ao status de estado, Tocantins passou a ter autonomia política, orçamentária e administrativa para ressignificar sua economia e proporcionar qualidade de vida para sua população. Sendo assim, mesmo com um vasto território de mais de 277.000 km², a ausência de infraestrutura urbana foi um dos principais desafios estruturais do estado, já que a mesma acabou sendo deixada de lado pela administração goiana e influenciou diretamente no ritmo da economia e na eficiência da cadeia produtiva do Tocantins. Dessa forma, o estado precisaria de uma reforma que começaria com a construção de Palmas, no final dos anos 80, tornando-se a capital do estado e uma das cidades mais estruturadas do país, sendo referência pela sua eficiência e organização. Como resultado, a capital transformou-se em um polo de serviços, educação e comércio, com impacto econômico expressivo em todo o estado. Não à toa, a cidade conseguiu aumentar sua população em 32% na última década, detendo atualmente pouco mais de 300.000 habitantes e concentrando cerca de 26% do PIB do estado. Além disso, diferentemente da maioria dos estados brasileiros, onde a capital fica localizada na costa, no Tocantins, Palmas foi erguida no meio do estado. Essa localização estratégica permite uma articulação eficiente com as demais regiões, facilitando a gestão pública e o acesso da população aos serviços mais especializados, além de garantir a interiorização da infraestrutura urbana. Esse ponto, por curiosidade, foi uma prioridade histórica mantida pela gestão pública, dado que buscar a integração do território seria o primeiro passo do estado para avançar com novas propostas de desenvolvimento. Nesse momento, o governo estadual seguiu apoiando a construção de novas rodovias, ferrovias e projetos hidroviários, integrando regiões distantes e conectando áreas com potencial de produção agrícola e agropecuária à economia estadual e nacional. Um bom exemplo nesse caso foi a construção da Ferrovia Norte-Sul, que começou a ser construída em 1987, conectando o estado ao porto de Itaqui, no Maranhão. Esse porto compreende o maior complexo portuário em movimentação de carga do país, que tem sido o destino logístico de boa parte da produção do corredor Centro-Norte do Brasil, ampliando ainda mais a competitividade dos produtos tocantinenses no mercado internacional, especialmente grãos, extinguindo ao mesmo tempo um dos maiores desafios comerciais e estratégicos do Tocantins, que seria o acesso ao mar. Em virtude disso, após superar gargalos logísticos, revitalizar a economia e inserir-se na cadeia nacional de suprimentos, surge a pergunta em relação a como o Tocantins está se tornando o estado mais rico da região Norte. Para responder a essa pergunta, é preciso analisar os últimos anos da economia do Tocantins, quando o estado assistiu à ascensão de uma gama de nichos altamente produtivos, com destaque especialmente para o agronegócio, que passa a substituir a agricultura de subsistência para pôr em prática um modelo baseado na tecnologia e na eficiência produtiva. Vale ar que o fato de metade do território tocantinense ser coberto por terras férteis e planas, combinado com os incentivos do governo, barateando a compra de campos para proprietários, foi algo decisivo para a expansão do setor, pois essas condições chamaram a atenção de produtores das regiões Centro-Oeste e sul do Brasil, principalmente do Paraná, de Goiás e de Minas Gerais, que descentralizaram a produção agrícola dessas áreas diretamente para o Tocantins, consequentemente trouxeram consigo técnicas de manejo, plantio, capital e tecnologia para implantar modelos modernos de produção de culturas altamente demandadas no mercado, como soja, milho, arroz e algodão. No momento atual, o Tocantins desponta como o novo polo de produção agrícola do Brasil, tanto que na última década o estado acabou tendo um crescimento na produção de grão superior a 138% na área plantada e 159% na produção, evidenciando o avanço tecnológico e produtivo nas propriedades, tornando-se de longe o maior produtor de grãos da região Norte, com a safra 2024/2025 atingindo um recorde histórico de mais de 9 milhões de toneladas de grãos, algo que representa um aumento de 16% em relação ao ciclo anterior. O estado ainda se destaca na pecuária, com foco na exportação de carne bovina, uma parte essencial da economia do estado. A ascensão desse setor começa no início dos anos 2000, quando o rebanho bovino tocantinense cresceu de forma significativa, aproveitando a topografia favorável do estado, com até 82% do território coberto por solos planos ou suavemente ondulados, aliado ao desenvolvimento de práticas modernas na pecuária de corte, como o melhoramento genético, confinamento e o manejo rotacionado de pastagens. Esse conjunto de elementos contribuíram para o aumento significativo da produtividade por hectare, fortalecendo uma pecuária mais intensiva, técnica e rentável. Isso, por natureza, aumenta as zonas de pasto e favorece a qualidade da carne. Tanto que o Tocantins vem se posicionando entre os maiores produtores de carne bovina do Brasil, detendo mais de 11 milhões de cabeças de gado. Essa realidade mostra como o estado tem aproveitado suas vantagens competitivas para impulsionar a economia e atrair capital externo. Entre elas, é possível citar sua localização privilegiada, funcionando como um elo entre as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Isso garante acessibilidade para empresas que buscam expandir sua rede logística por meio de uma rede de conexão, especialmente para as indústrias de transformação, centros de distribuição e grandes operadores logísticos. Logo, o governo estadual tem adotado políticas de incentivo fiscal, seja simplificando a carga tributária ou disponibilizando áreas de interesse econômico em distritos industriais como Palmas, o que torna ainda mais atraente a instalação de empresas no estado. Dessa forma, não surpreende que o Tocantins tenha liderado o crescimento do PIB na região Norte no último ano, crescendo 4% em 2024 e ainda com expectativa de ser o quinto maior crescimento no PIB entre os estados brasileiros, crescendo 3,8% em 2025, acima da média nacional de 2,2%, e ainda sustenta o segundo maior PIB per capita da região, atrás apenas de Rondônia, com um PIB per capita de R$ 38.000 por habitante. Essa alta tem sido puxada não apenas pelo agronegócio, mas também pelo setor de serviços, o qual foi o principal responsável por esse crescimento. Tanto que, entre outubro de 2021 e julho de 2024, o estado teve um salto de 4,6% no volume de serviços, sendo a quarta maior taxa do país e bem à frente da média nacional. Esse dado evidencia a competitividade da economia tocantinense, com a expansão de atividades vitais relacionadas ao comércio, transporte, tecnologia da informação, educação e turismo. Naturalmente, esses nichos da economia tendem a demandar uma mão de obra significativa, gerando emprego e renda para muitas famílias no Tocantins. Além de que, à medida que esse setor cresce, aumenta a demanda por trabalhadores de diversas qualificações, diversificando ainda mais a mão de obra e favorecendo a inclusão mais ampla da força de trabalho do estado. Com os serviços em alta, o Tocantins colocou sua taxa de desemprego entre as mais baixas a nível nacional, com uma taxa anual de 5,5%, a menor em 12 anos e também o segundo menor percentual entre os estados das regiões Norte e Nordeste. Entretanto, a dependência histórica em torno do agronegócio e de ramos da economia vinculados ao setor de serviços acabaram limitando a ascensão da indústria no estado, sendo essa uma parte vital da economia, não apenas por ser capaz de empregar mais pessoas, como também por oferecer os melhores salários e permitir que o estado inove na economia com a produção de mercadorias acabadas. Não à toa, o estado produz um PIB industrial limitado em torno de R$ 6,5 bilhões, equivalente a 0,3% da indústria nacional. Portanto, o Tocantins conseguiu superar seus desafios históricos, saindo de uma região esquecida do norte goiano à protagonista do desenvolvimento regional, tornando-se um exemplo de superação e planejamento estratégico. No entanto, é importante que o estado continue a aproveitar suas vantagens econômicas e adotar estratégias de desenvolvimento que contemplem a expansão da economia, priorizando também a sustentabilidade, a inclusão social e a diversificação da produção, para que assim o estado continue crescendo e venha se tornar o mais rico da região Norte e um dos mais competitivos do Brasil. Muito obrigado a você que chegou até aqui. Se possível, comente abaixo o próximo tema que você deseja ver aqui no canal. Além disso, curta o vídeo, se inscreva e compartilhe o conteúdo com seus amigos. Agradeço novamente pela sua audiência e até o próximo vídeo.